Quem é Oxumarê?
Oxumarê é originário do vocábulo "Òṣùmàrè", cuja tradução é "arco-íris" em língua iorubá. É a cobra-arco-íris. Considerado o orixá da dualidade, da transformação e do movimento contínuo, Oxumarê representa o ciclo da vida, da morte e do renascimento.
Oxumarê (Òsùmàrè) é a personificação dos movimentos e ciclos que regem o universo. Sua importância é vital, pois o mundo depende da constante dinâmica dos eventos cósmicos e terrestres. Se Oxumarê perder suas forças, o fim dos ciclos significaria o fim do mundo como o conhecemos. O universo é um contínuo de mudanças e transformações, e Oxumarê é o guardião desses processos.
Oxumarê é um orixá cultuado principalmente nas nações Ketu e Jeje do Candomblé. Ele é conhecido como o orixá do arco-íris e da serpente, o que representa sua natureza dupla: ao mesmo tempo masculino e feminino, água e fogo, céu e terra. Essa dualidade não representa confusão, mas sim complementaridade e equilíbrio.
Origem e Família
A história do Orixá Oxumarê começa quando ele é dito como filho de Nanã Buruku e tem origens em Mahi, no antigo Daomé. Ali, é conhecido como Dan. Na região de Ifé é chamado de Ajé Sàlugá, aquele que proporciona a riqueza aos homens. Teria sido um dos companheiros de Odudua por ocasião de sua chegada a Ifé.
Orixá incorporado ao panteão Yorubá sendo sua origem do Vodun, onde é filho de Nanã e irmão de Omulu e Euá, foram trazidos da Nação Jeje do Daomé. Oxumaré é filho de Nanã e Oxalufã. É o segundo filho de Nanã, irmão gêmeo de Ewá e Omolú/Obaluaiê seu irmão mais velho, e Ossaim seu irmão mais novo, que são vinculados ao mistério da morte e do renascimento.
Senhor da mobilidade e da atividade, é representado pela cobra e pelo arco-íris, por isso é considerado o senhor de tudo o que é alongado, como, por exemplo, o cordão umbilical que significa a ligação entre o velho e o novo, entre os homens e seus antepassados, a continuidade.
A Dualidade de Oxumarê: Masculino e Feminino
Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo.
Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino. Em algumas representações, Oxumarê é um orixá completamente masculino, e o orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ieuá, sua irmã gêmea, que tem domínios parecidos com o dele. Já em outras representações, Oxumarê carrega uma bivalência quanto ao seu gênero.
Dentro do Candomblé, Oxumarê se divide em duas qualidades: Oxumarê fêmea, chamado de Frecuém e representado pela serpente.
É importante esclarecer a confusão frequente com Oxum: a confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem.
Itans: Os Mitos de Oxumarê
Itan 1 — Oxumarê e a Cura dos Olhos de Olodumaré
Este é um dos mitos mais célebres de Oxumarê, relatado por Pierre Fatumbi Verger. A história revela como o Orixá conquistou sua morada celestial. Quando Chuva reunia as nuvens, Oxumarê agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. Todos gritavam: "Oxumarê apareceu!"
Oxumarê tornou-se muito célebre. Nesta época, Olodumaré, o deus supremo, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumarê e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disto, Olodumaré não deixou mais que Oxumarê retornasse à Terra. Desde este dia, é no céu que ele mora e só tem permissão de visitar a Terra a cada três anos. É durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.
Itan 2 — O Nascimento de Oxumarê e a Profecia de Orunmilá
Este mito trata da origem de Oxumarê e de sua relação com a mãe Nanã e o irmão Omulú. Omulú é o irmão mais velho de Oxumarê, mas foi abandonado por sua mãe por ter nascido com o corpo coberto de chagas. Em tempo, não se pode condenar Nanã por esse ato, já que era um costume, quase uma obrigação ritual da época, que se abandonassem as crianças nascidas com alguma deformidade.
O deus do destino disse a Nanã que ela teria outro filho, belíssimo, tão bonito quanto o arco-íris, mas que jamais ficaria junto dela. Ele viveria no alto, percorreria o mundo sem parar. Nasceu Oxumarê, o Orixá do arco-íris!
De forma oposta ao seu irmão, Oxumarê nasceu com muita beleza, tão bonito quanto o arco-íris. Por isso, passou a viver no alto, percorrendo o mundo sem parar e transformando os ciclos da vida em algo necessário.
Itan 3 — Oxumarê, o Babalaô do Rei de Ifé
Este itan revela como Oxumarê, apesar de ser um sábio reconhecido, enfrentou a exploração e a pobreza antes de conquistar sua glória. A grande Divindade do Arco-Íris era um reconhecido Babalawo. Diante de seu conhecimento, prestava serviços somente ao Rei da cidade de Ifé, que de certa maneira o explorava.
Para o Rei de Ifé, o fato de Oxumarê ser o seu Babalawo pessoal já era o grande pagamento pelos serviços que ele lhe prestava, razão pela qual dava pequenas esmolas ao sábio Babalawo, que em nada ajudavam em seu sustento. Assim, mesmo sendo o Babalawo do Rei, estava Oxumarê passando por grandes dificuldades e já não conseguia sustentar a sua família. Dessa forma, resolveu consultar Ifá para outras pessoas e não somente para o Rei, assim ele conseguiria oferecer uma vida melhor à sua família.
Itan 4 — Oxumarê e Olokun: A Origem do Arco-Íris e da Riqueza
Este é um dos itans mais belos, pois explica a origem das cores do arco-íris e da associação de Oxumarê com a riqueza. Òsùmàrè consultou Ifá e disse para Olokun que teria filhos bonitos e fortes, mas que para isso, seria necessário realizar uma determinada oferenda. Como forma de gratidão e agradecimento, Olokun convidou Òsùmàrè para ser o Babalawo do seu palácio, que ele seria reconhecido e valorizado pelo seu grande conhecimento.
Olokun presenteou Òsùmàrè com aquilo que tinha de mais precioso, as sementes do dinheiro (Owo Eyo — Búzios) e com um pano colorido. Olokun Seniade disse à Òsùmàrè que, sempre que ele usasse aquele pano, as suas cores refletiriam no céu, nascendo dessa forma, o Arco-Íris. Essa linda história ilustra que apesar das dificuldades que parecem insolúveis, sempre existe a possibilidade de uma reviravolta em nossas vidas.
Itan 5 — A Captura de Oxumarê por Xangô
Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar, com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seu ouro. Xangô conhecia a fama de Oxumarê não deixar ninguém dele se aproximar. Preparou então uma armadilha para capturar Oxumarê. Mandou uma audiência em seu palácio e, quando Oxumarê entrou na sala do trono, os soldados fecharam todas as janelas e portas, aprisionando Oxumarê junto com Xangô.
Este mito conecta-se à função cósmica de Oxumarê: diz-se que é um servidor de Xangô, que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.
Itan 6 — A Serpente que Morde a Cauda (Ouroboros)
Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo — todos os movimentos dos planetas e astros do universo.
Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a consequência será nada menos que o fim da vida no mundo.
Ferramentas e Símbolos
Os símbolos de Oxumarê são: Ebiri, serpente, círculo e bradjá. Seus domínios são a riqueza, vida longa, ciclos e movimentos constantes.
Ebiri
É uma espécie de vassoura feita com nervuras das folhas das palmeiras, instrumento ritual característico que Oxumarê carrega nas danças e cerimônias.
Bradjá (Brajá)
Seus filhos usam colares de búzios entrelaçados formando as escamas de uma serpente que tem o nome de Brajá, usam também o Lagdigbá como Nanã e Omolú. Ele é o senhor de tudo que é alongado.
Serpente e Círculo
Representado por uma serpente que morde a própria cauda (Ouroboros), se mostra como símbolo da continuidade e permanência. Também representa a movimentação e mobilidade da Terra, com seus movimentos de rotação e translação.
Arco-íris
Oxumarê reside nos céus e visita a Terra através do arco-íris, símbolo de sua presença e renovação. Representado como uma grande cobra que envolve os domínios terrestres e celestiais, ele garante a harmonia e a perpetuação do universo.
Cores de Oxumarê
As cores de Oxumarê variam conforme a nação do Candomblé. Na nação jeje, sua cor é o amarelo e preto de miçangas rajadas. Já no candomblé queto, suas cores são o verde e amarelo intercaladas. Porém essas cores definem apenas o fio de contas, pois todas as cores do arco-íris lhe pertencem.
Suas cores são o amarelo claro e o azul claro, não nos esquecendo que sendo ele o Arco-Íris suas cores são as primárias. De forma geral, ele se manifesta principalmente entre o amarelo e verde ou preto, mas está com forte presença em todas as cores do arco-íris, onde vive.
Outros Nomes e Qualidades de Oxumarê
Alguns desses outros nomes incluem Akemin, Botibonan, Besserin, Dakemin, Bafun, Makor, Arrolo, Danbale, Akotokuen, Kaforidan, Danjikú, Aido Wedo, Foken, Darrame, Averecy, Akoledura e Bakilá.
Também conhecido como Bessen, onde apresenta quatro qualidades: Feludã, Soboadã, Baradã e Oxumarê. As principais qualidades de Oxumarê são Dã, Dangbé, Bessém e Aidoú. No rito angola é Angorô, e no jeje Dã e Bessém. Oxumarê é também conhecido como Ósùmàrè, Dan, Angolo, Nkisi Hongolo, Nkisi Angoroméia e Bessém.
Comidas e Oferendas
As oferendas a Oxumarê são feitas com o intuito de atrair renovação, transformação e prosperidade, honrando sua conexão com a terra e o céu.
- Batata doce — cozida, amassada com mel e dendê
- Abadô — milho vermelho torrado e moído, combinado com farinha de mandioca, sal e açúcar
- Melancia, tangerina, maracujá e banana da terra — frutas que simbolizam abundância e fertilidade
- Milho branco e coco — representam a fartura e a prosperidade
Suas bebidas incluem vinho branco, cerveja vermelha e água de coco. Velas coloridas, com predominância de amarelo e verde, são usadas para simbolizar sua ligação com o arco-íris. As oferendas são geralmente realizadas em lugares abertos, como montanhas ou colinas, ou em cachoeiras, para simbolizar a conexão entre os céus e a terra. Suas quizilas (proibições) são carneiros e fofoca.
Saudação, Dia e Sincretismo
A saudação a Oxumarê é "Arroboboi, Oxumarê!" (também grafada como "A Run Boboi!"), que tem o significado de "Salve o Senhor do Arco-íris" ou "Salve o Senhor dos Ciclos". Seu dia da semana é a terça-feira. No sincretismo católico, esse Orixá é associado a São Bartolomeu, celebrado em 24 de agosto.
Cantigas de Oxumarê
Quando tem sua saída no barracão é uma festa muito linda porque há cantigas em que ele se joga ao chão e rasteja como uma serpente. As cantigas dedicadas a Oxumarê refletem sua natureza dupla e seu domínio sobre os ciclos e movimentos. Uma das mais conhecidas é entoada quando Oxumarê desce ao barracão e rasteja pelo chão como uma serpente, levantando-se depois com os braços apontados para o céu — representando o arco-íris que liga o terreno ao divino.
Cantiga 1: Arroboboi, Oxumaré
Arroboboi, Oxumaré
Arroboboi, Oxumaré
Serpenteia todo o universo
Serpenteia cada medicina
Arroboboi, Oxumaré
Cantiga que saúda Oxumarê com sua saudação principal. "Arroboboi" é o chamado de respeito ao senhor dos ciclos, e a referência à serpente que serpenteia o universo evoca a imagem da cobra cósmica que envolve a Terra.
Cantiga 2: Oxumaré Dan
E dan, dan, dan
Òsunmaré lè lê ma rì
Lè lê ma húwà ara ká
Lè lê ma rè Òsunmaré
Esta cantiga louva Oxumarê como a serpente sagrada. "Dan" é o nome do vodum serpente na tradição jeje, e a letra exalta o poder de Oxumarê de se enrolar e envolver o mundo com seu corpo.
Nota: As cantigas aqui reproduzidas fazem parte da tradição oral do Candomblé Ketu. A entonação, o ritmo e o contexto ritual são fundamentais para o correto uso litúrgico. Estas letras são oferecidas para estudo e conhecimento da tradição.
Os Filhos de Oxumarê
Os filhos de Oxumarê têm a capacidade de renovação e mudança constante, tanto que são tidos como pessoas que podem romper com seu estilo de vida e ser capazes de abandonar tudo (emprego e amizades) para começar uma nova etapa da vida. Outras qualidades são a inteligência, a curiosidade e a ironia. São muito agitados e precisam de movimentação. São pacientes e determinados, vão até o fim em tudo o que fazem.
Os filhos de Oxumarê, divididos entre as famílias da Dan, Bessem e Angorô, são dotados de incrível capacidade de adaptação a qualquer tipo de situação. São pessoas despachadas, astutas, inteligentes e bastante observadoras.
São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas; são orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém. São pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para alcançá-los. A dualidade do orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade.
Relação com Outros Orixás
Oxumarê possui laços profundos com diversos Orixás. Com Nanã Buruku é seu filho, e, segundo os mitos, apesar de ter nascido belíssimo, jamais ficaria junto da mãe; viveria no alto, percorreria o mundo sem parar.
Com Omolú/Obaluaiê: Omulú é o irmão mais velho de Oxumarê, mas foi abandonado por sua mãe. Enquanto Omolú carrega a doença e a cura, Oxumarê carrega a beleza e o movimento — ambos representam faces complementares do ciclo de morte e renascimento.
Com Ewá/Ieuá: o orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ieuá, sua irmã gêmea, que tem domínios parecidos com o dele.
Com Xangô: diz-se que é um servidor de Xangô, encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.
Com Oxalá: reza a lenda que Oxumarê nasceu com o corpo de serpente, e por isso foi rejeitado por sua mãe. Mas foi acolhido por Oxalá, que reconheceu em sua forma única uma força divina destinada a equilibrar o mundo.
O Significado Cósmico de Oxumarê
Se um dia Oxumarê perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do ano se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva.
Oxumarê não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo. Oxumarê mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris.
Quadro Resumo
| Nome iorubá | Òṣùmàrè |
| Significado | Arco-íris |
| Outros nomes | Dan, Bessém, Angorô, Hongolo, Aido Wedo |
| Família | Filho de Nanã e Oxalufã; irmão de Omolú, Ewá e Ossaim |
| Cores | Amarelo e verde (Ketu); amarelo e preto (Jeje); todas as cores do arco-íris |
| Dia | Terça-feira |
| Sincretismo | São Bartolomeu (24 de agosto) |
| Símbolos | Ebiri, serpente, círculo, bradjá |
| Domínios | Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos |
| Comidas | Batata-doce com mel, abadô, banana da terra, melão, melancia |
| Quizilas | Carneiros e fofoca |
| Saudação | "Arroboboi, Oxumarê!" |
Arroboboi, Oxumarê!
Oxumarê é, sem dúvida, um dos Orixás mais complexos e profundos do panteão afro-brasileiro. Ele é a própria essência do movimento: sem ele, a Terra não gira, a chuva não cai, o dia não sucede a noite, os ciclos não se renovam.
Ele ensina que tudo está em constante mudança e que a verdadeira força está em saber fluir com os ciclos, integrando luz e sombra, masculino e feminino, céu e terra. Sua mitologia nos convida à aceitação da diversidade e da impermanência como partes fundamentais do caminho espiritual.
Através de seus itans — da cura dos olhos de Olodumaré ao presente de Olokun, da pobreza como Babalaô à riqueza refletida nas cores do arco-íris — Oxumarê nos ensina que toda vida passa por fases de escassez e abundância, de recolhimento e expansão.
Como a serpente que morde a própria cauda, ele nos lembra que todo fim é um novo começo — e que a verdadeira riqueza está na capacidade de se transformar, se renovar e seguir em frente, sempre em movimento.
Arroboboi, Oxumarê!