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Oxalá (Obatalá)

O Pai de Todos os Orixás: Criação, Paz e Harmonia

Início Orixás Oxalá (Obatalá)
Oxalá, Orixá da Criação e Paz

Oxalá, Orixalá, Orixaguiã, Gunocô ou Obatalá é o orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Muitas vezes considerado o rei dos Orixás, é uma figura central nas tradições iorubás e suas ramificações, como o Candomblé e a Umbanda. Em África, todos os Orixás relacionados com a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Fun Fun. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá (Òrìsànlá), ou seja, o grande Orixá.

Oxalá detém o poder procriador masculino e é associado ao branco em todas as suas representações. Ele é considerado essencial nos primórdios, representando a massa de ar e água, a forma primordial de todas as criaturas no Aiyê e no Orun. Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá. Ele foi o primeiro Orixá concebido por Olorum e encarregado de criar não somente o universo, mas todas as coisas que existem no mundo.

Na África é cultuado com o nome de Obatalá. Quando os negros vieram para cá, como mão-de-obra escrava na agricultura, trouxeram consigo, além do nome do Orixá, uma outra forma de a ele se referirem, Orixalá, que significa "orixá dos orixás". Numa versão contraída, o nome que se acabou popularizando é Oxalá.

No Ilê Àsé Oni Èwé Ossayn Atin L'Oyá, cultuamos Oxalá como o pai maior que rege a fé, a esperança e a criação.

As Duas Qualidades Principais de Oxalá

Oxalá é dividido em duas principais manifestações: Oxalufã, que é representado como um ancião sábio e sereno, e Oxaguiã, o jovem guerreiro. Ambas as formas simbolizam diferentes aspectos de sua personalidade e poderes, abrangendo desde a paz e paciência até a força e a justiça.

Oxalufã é o Oxalá mais velho, seu templo é em Ifon. Representado como um ancião curvado, apoiado em seu opaxorô, lento e sereno, simboliza a sabedoria, a paciência e a maturidade espiritual. O tipo físico de Oxalufã é frágil, delicado, friorento, sujeito a resfriados. Compensa sua debilidade física com grande força moral, e seu alvo é realizar a condição humana no que tem de mais nobre. É fiel no amor e na amizade. Oxalufã é o poente.

Oxaguiã é o filho de Oxalufã, um Orixá jovem, forte e guerreiro. Seu principal templo é o Ejigbo. Em suas mãos estão o escudo, espada, mão de pilão e polvarim. É o Orixá responsável por encorajar seus filhos nas lutas diárias para que eles possam superá-las. É dinâmico e está sempre em movimento, ele rege a inovação. Sua comida favorita é o inhame (por isso criou o pilão) e seu nome é derivado justamente de seu prato preferido: "Orixá comedor de inhame pilado". De características severas, Oxaguiã é quem motiva com espírito de luta e vontade de vencer. Ele é o nascente e o dono das manhãs.

Ambas as qualidades compõem a totalidade do Orixá Oxalá, mostrando que a paz e a criação podem vir tanto da sabedoria ancestral quanto da força da renovação.

Características de Oxalá

Dia da semana: Sexta-feira. Cor: Branco puro, simbolizando paz, pureza, luz e transcendência. Para Oxaguiã, o branco levemente mesclado com azul. Elemento: Ar e éter, ligados à espiritualidade elevada. Número: 8 ou 16. Saudação: Eêpa Babá! ("Salve o Pai!"). Maior restrição: O azeite de dendê, que nunca deve manchar suas vestimentas, objetos sagrados ou Alá.

Oxalá é o primeiro filho de Olorum, o Orixá mais velho. Devido a sua posição, ele se tornou meio prepotente e exigente, sendo assim muito teimoso e perfeccionista. Sempre consegue o que deseja através de suas estratégias e capacidade de raciocínio. É alheio a toda violência, disputas e brigas. Gosta de ordem, de limpeza e da pureza. Muito sábio e benevolente com os filhos, ele os leva pelos caminhos da vitória.

Os filhos de Oxalá costumam ser descritos como pessoas calmas, ponderadas e avessas ao conflito, com forte senso de responsabilidade. Filhos de Oxaguiã são pessoas com características bastante contraditórias: ao mesmo tempo em que podem ser comunicativos e briguentos, também podem ser bastante calmos e ligados à família. Essa dualidade pode ser observada na representação de seu pai Orixá, que em uma mão carrega a espada e em outra o pilão. Outro ponto forte é a liderança. Os filhos de Oxaguiã são guerreiros, intuitivos e defendem os injustiçados.

No sincretismo católico, Oxalá é associado a Jesus Cristo e ao Senhor do Bonfim, refletindo sua natureza compassiva, redentora e paternal. Sua homenagem é em 25 de dezembro (Natal) e em janeiro (Águas de Oxalá).

Os Símbolos e Instrumentos de Oxalá

Oxalá é representado por símbolos que remetem à sua sabedoria ancestral e ao seu poder criador. Suas ferramentas carregam o axé da paz, da pureza e da autoridade divina.

Opaxorô — O Cajado Sagrado (Oxalufã)

O Opaxorô é a mais emblemática ferramenta de Oxalá. Trata-se de uma ferramenta ritual de Oxalá, marcando a ancestralidade, sabedoria e experiência. As quatro divisões do Opaxorô representam as quatro grandes camadas que envolvem a terra, ali está a divisão do Orun e Aiyê. Este bastão sustenta Oxalufã em sua caminhada lenta e sábia.

Pilão, Espada e Escudo (Oxaguiã)

Na forma jovem, Oxalá é chamado de Oxaguiã e seus símbolos são uma idá (espada), um pilão de metal branco e um escudo. O mais característico símbolo de Oxaguiã representa a calma necessária, como o ato de pilar o inhame lenta e continuamente, para equilibrar com a espada que simboliza a luta. O pilão de Oxaguiã é sempre de duas bocas exatamente iguais, porque representa também a justiça com equilíbrio justo para os dois lados.

O Alá (Pano Branco)

O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado com a concepção de cada ser. É a síntese do poder criador masculino. A sua função primeira já remete ao seu significado profundo: a ação de cobrir não evoca somente proteção e zelo, denota a atividade masculina no ato sexual.

Outros Símbolos

  • Pena de Ikodidé: única pena vermelha permitida a Oxalá, símbolo de sua submissão ao poder feminino
  • Efun (pó branco sagrado): usado nos rituais de purificação e consagração
  • Mão de Pilão: símbolo da criação, do movimento de dar forma ao mundo

As Histórias Sagradas de Oxalá

Itan: A Criação do Mundo

O grande Deus Olodumaré enviou Oxalufã para que criasse o mundo. A ele foi confiado um saco de areia, uma galinha com cinco dedos e um camaleão. A areia deveria ser jogada no oceano e a galinha posta em cima para que ciscasse e fizesse aparecer a terra. Por último, colocaria o camaleão para saber se estava firme. Como a tradição mandava, antes de iniciar a viagem, ele foi consultar o oráculo de Ifá, com Orunmilá, e este lhe orientou a fazer alguns sacrifícios à divindade Bará, mas ele era orgulhoso e prepotente, se recusou e nada fez, mas foi avisado de que infortúnios poderiam ocorrer.

Segundo a tradição iorubá, Oxalá foi escolhido para criar o mundo, mas enfrentou muitos desafios. Ele foi impedido de concluir a criação após beber vinho de palma, o que o fez adormecer e não terminar sua missão. Isso levou Oduduwá a concluir a criação da Terra. Desta lenda originaram-se importantes preceitos: Oxalá e seus filhos foram proibidos de consumir álcool e azeite de dendê, símbolos do descuido que quase arruinou sua missão. Além disso, aprenderam que nenhum trabalho espiritual se faz sem antes oferecer agrados a Exu.

Itan: Oxalá Modela a Humanidade no Barro

Diz a lenda que Oxalá desceu do Orun ao Aiyê carregando uma cabacinha com terra sagrada, uma galinha de cinco dedos e um camaleão. Ao chegar, espalhou a terra sobre as águas primordiais, a galinha ciscou a terra espalhando-a, e o mundo sólido se formou. Depois, com barro branco, Oxalá modelou os corpos humanos, aos quais Olodumaré insuflou o sopro da vida (emì). Por isso, Oxalá é reverenciado como o "Pai da Criação".

Conta-se também que, em certo ponto da criação, Oxalá bebeu do vinho de palma e, embriagado, moldou seres defeituosos — os aleijados, os cegos, os corcundas. Por isso, essas pessoas são consideradas sagradas e protegidas de Oxalá: são chamadas de "erês de Oxalá", criaturas de suas próprias mãos.

Itan: A Prisão Injusta de Oxalá e as Águas de Oxalá

A narrativa do mito das "Águas de Oxalá" inicia-se com Oxalá decidindo fazer uma visita a Xangô. Como era de costume na terra dos orixás, Oxalá consultou um Bàbálawo para saber como seria a viagem. Apesar de ele ter recomendado que a viagem não se realizasse, Oxalá já havia decidido deslocar-se para Oyó. O bàbálawo lhe disse: "Leve três mudas de roupas brancas, pois Exu irá dificultar seus caminhos". Também aconselhou que ele levasse consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa e que aceitasse fazer tudo que lhe pedissem no caminho sem reclamar.

Caminhando pela mata encontrou Exu que tentava levantar um tonel de dendê nas costas. Oxalá, obedecendo ao conselho do babalaô de ajudar a quem pedisse, ajudou Exu, mas o dendê manchou suas roupas brancas. Três vezes Exu o sujou, três vezes Oxalá trocou suas roupas. Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem. A festividade conhecida hoje como Águas de Oxalá remonta a esse acontecimento.

Itan: Xangô é Condenado por Oxalá a Comer como os Escravos

Airá, aquele que se veste de branco, foi um dia às terras do velho Oxalá para levá-lo à festa que faziam em sua cidade. Oxalá era velho e lento, por isso Airá o levava nas costas. Quando se aproximavam do destino, viram a grande pedreira de Xangô, bem perto de seu grande palácio. Xangô levou Oxalufã ao cume, para dali mostrar ao velho amigo todo o seu império e poderio. E foi lá de cima que Xangô avistou uma belíssima mulher mexendo sua panela. Era Oiá! Era o amalá do rei que ela preparava! Xangô não resistiu à tamanha tentação e disparou caminho abaixo, largando Oxalufã em meio às pedras, rolando na poeira, caindo pelas valas.

Oxalufã aceitou todas as desculpas e apreciou o banquete de caracóis e inhames que por dias o povo lhe ofereceu. Mas Oxalá impôs um castigo eterno a Xangô: ele que tanto gosta de fartar-se de boa comida. A partir de então, Xangô foi condenado a comer como os escravos — com as mãos, no chão — para que jamais esquecesse o respeito que se deve aos mais velhos.

Itan: Xangô e as Contas de Oxalá no Pescoço

Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Xangô, muito esperto, prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida, e os dois se casaram. Então, Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: "Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre."

Itan: Oxalá e Exu — A Origem das Raças

Oxalá sacudiu a cabeça de Exu e ela ficou enorme, mas Exu esfregou a cabeça com as mãos e ela ficou normal. A luta continuou, até que Exu tirou da própria cabeça uma cabacinha; dela saiu uma fumaça branca que tirou as cores de Oxalá. Oxalá se esfregou, como Exu fizera, mas não voltou ao normal; então, tirou da cabeça o próprio axé e soprou-o sobre Exu, que ficou dócil e lhe entregou a cabaça, que Oxalá usa para fazer os brancos.

A Festa das Águas de Oxalá

No candomblé da Bahia, a principal festa de Oxalá é conhecida como "Águas de Oxalá", realizada geralmente em janeiro. Essa cerimônia tem origem na lenda em que Oxalufã, após passar por humilhações e prisão injusta, foi banhado com água sagrada por Xangô e seu povo vestido de branco, em sinal de purificação e pedido de perdão. Em memória disso, anualmente os terreiros lavam os seus espaços com água de cheiro, branqueando o chão e as paredes, e lavam os objetos sagrados de Oxalá com infusão de ervas brancas.

Na famosa Lavagem do Bonfim, sincrética procissão em Salvador, filhas-de-santo vestidas de branco carregam potes de água perfumada e lavam os degraus da Igreja do Senhor do Bonfim, numa belíssima mistura de fé católica e candomblé em honra a Oxalá. Durante as Águas de Oxalá, o ambiente fica silencioso e solene; cânticos baixos são entoados invocando "Epa Babá", e todos permanecem em estado de reverência enquanto a água corre, limpando energias. As Águas de Oxalá costumam abrir o calendário ritual da casa, num gesto de renovação coletiva do axé.

As Cantigas de Oxalá

As cantigas de Oxalá são, via de regra, lentas, solenes e profundas. São entoadas em voz baixa, em tom de reverência absoluta, diferenciando-se das cantigas vibrantes dos orixás guerreiros. As cantigas de Oxalufã são mais lentas e arrastadas, representando a marcha do ancião; já as de Oxaguiã podem ter um ritmo levemente mais acelerado, remetendo à energia do jovem guerreiro.

Cânticos baixos são entoados invocando "Epa Babá". A saudação mais conhecida é Eêpa Babá!

Cantiga 1: Epa Babá

Epa babá, epa babá
Epa babá, epa babá
Epa babá, epa babá
Oxalá, epa babá

A cantiga mais fundamental do xirê, uma saudação direta e poderosa a Oxalá. "Epa babá" significa "Viva o Pai!" e é entoada em momentos de grande respeito e devoção, geralmente ao final do xirê quando Oxalá é homenageado como síntese de todos os Orixás.

Cantiga 2: Baba Mi, Baba Alapini

Baba mi, baba alapini
Baba mi, baba alapini
Baba mi o, baba mi o
Baba ala mojuba o

Esta cantiga louva Oxalá como "Baba Alapini", o Pai que possui o Alá (pano branco sagrado). "Mojuba" é uma saudação de profundo respeito. A cantiga invoca a proteção do manto branco de Oxalá sobre seus filhos, simbolizando a paz que cobre e protege todos os seres.

Cantiga 3: Omi Tutu

Omi tutu, omi tutu
Omi tutu, omi tutu
Baba omi tutu
Omi tutu, omi tutu

"Omi tutu" significa "água fresca". Esta cantiga é entoada nos rituais de purificação e nas águas de Oxalá. A água fresca representa a pureza, o frescor espiritual e a renovação que Oxalá traz a seus devotos. É cantada em momentos de limpeza espiritual e banhos de ervas consagradas ao Orixá.

Nota: As cantigas aqui reproduzidas fazem parte da tradição oral do Candomblé Ketu. A entonação, o ritmo e o contexto ritual são fundamentais para o correto uso litúrgico. Estas letras são oferecidas para estudo e conhecimento da tradição.

Oferendas a Oxalá

As oferendas a Oxalá são sempre marcadas pela brancura e pela pureza. Nada de dendê, nada de álcool, nada de vermelho — apenas o que é puro e sereno. O azeite de dendê nunca deve ser oferecido a Oxalá. Muitas comidas são bem temperadas, levando sal — menos as de Oxalá.

Comidas Rituais

  • Ebô (Egbó): milho branco cozido sem tempero e sem sal, alimento votivo para os orixás Fun Fun
  • Mungunzá (Canjica branca): grãos de milho branco cozidos em água sem sal e com açúcar, algumas vezes com leite de coco
  • Acaçá branco: bolinho feito de milho branco enrolado em folha de bananeira
  • Inhame pilado: oferenda tradicional para Oxaguiã

Flores e Elementos

  • Flores brancas: rosas brancas, lírios, crisântemos brancos
  • Algodão
  • Mel de abelha (em alguns caminhos)
  • Frutas brancas: coco, pera, uva verde

Oxalá na Relação com Outros Orixás

Oxalá e Exu: Nenhum trabalho espiritual se faz sem antes oferecer agrados a Exu. Por isso até hoje se "abre os caminhos" oferecendo primeiro a Exu, para então alcançar Oxalá.

Oxalá e Xangô: Xangô é filho de Oxalá. A relação entre os dois é marcada pela lenda da prisão injusta. Apesar do sofrimento, Oxalá perdoou Xangô, ensinando que a paz é sempre maior que a vingança.

Oxalá e Iemanjá: A única coisa que Oxalá desejava, após ser resgatado, era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Iemanjá, sua esposa, o aguardava. Iemanjá é considerada sua grande companheira.

Oxalá e Airá: Xangô pediu a Airá que acompanhasse Oxalá em seu lugar. Desde então, Airá tornou-se o companheiro e guardião de Oxalá, vestindo-se de branco em sua honra.

Oxalá no Xirê: No Xirê, Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Exu, reside em todos os seres humanos.

Outras Qualidades (Caminhos) de Oxalá

Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil e na Europa a quantidade reduz-se significativamente, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oxalufã) e Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Ejigbó (Oxaguiã), se tornaram as suas expressões mais conhecidas. Além de Oxalufã e Oxaguiã, outras qualidades tradicionais incluem:

  • Oxalá Ajagunã — O guerreiro branco, ligado à batalha espiritual
  • Oxalá Orixanilá (Orinxalá) — O grande Orixá em sua totalidade
  • Oxalá Babá Aroquê — Ligado às alturas e às colinas
  • Oxalá Elemoxó — O senhor da lama branca, ligado à criação do barro
  • Oxalá Aquinjolê — Ligado à paz e à justiça

Eêpa Babá! Oxalá!

"Eêpa Babá! Oxalá ê!" (Salve o Pai! Oxalá, eis aqui!). Essa saudação é entoada sempre que Oxalá é invocado, em tom de profundo respeito e reverência. Todos se curvam, o silêncio se faz, os atabaques tocam mais lentamente.

Oxalá é o Orixá presente nos momentos em que a calma e a paz foram estabelecidas. É ele quem rege a paz no ambiente, o silêncio e a tranquilidade. Dessa forma, proporciona a harmonia entre os homens, levando a compreensão e o sossego. Este é o orixá da calma, da reflexão, da justiça serena e da compaixão infinita. Não age por impulso, mas com sabedoria profunda. Governa a mente, o raciocínio elevado e a consciência espiritual.

Oxalá é o sopro que deu vida ao barro. É o branco que contém todas as cores. É o silêncio que precede a criação. É a paz que sustenta o universo. O Pai de todos, o primeiro e o último, aquele sem o qual nenhum Orixá dança, nenhuma vida se forma, nenhum caminho se abre. Quando os tambores silenciam e o branco domina o salão — é Oxalá que chega.

Eêpa Babá, Oxalá!

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