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Iroco

O Senhor do Tempo, da Ancestralidade e das Florestas: Iroko Issó! Eró, Iroko Kissilé!

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Iroco, Orixá da Árvore Sagrada e do Tempo

Quem é Iroco?

Iroco ou Irocô (em iorubá: Iroko) é um orixá do Candomblé Queto. No Brasil, é associado à árvore conhecida como gameleira (Ficus insipida), enquanto que, na África, é associado à árvore Milicia excelsa. Corresponde ao vodum Locô no Candomblé Jeje e ao inquice Tempo no Candomblé Banto.

Iroko é um dos Orixás mais antigos, ele representa o tempo e rege a Ancestralidade. Ele foi a primeira árvore plantada na terra, por onde desceram todos os Orixás, por este motivo ele é o líder de todos os espíritos das árvores sagradas.

Ele personifica a própria essência do Tempo, sendo o comandante supremo de todas as árvores sagradas, o vanguardista que recebe a obediência dos demais Osa Iggi, pois é o Iggi Olórun, a árvore do Senhor do Céu. É o Orixá Iroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha e cobra o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

O Significado do Nome e Seus Outros Nomes

No Candomblé do Brasil, ele é reverenciado como Iroko, Iroco ou Roko, pela nação Ketu, e como Loko, pela nação Jeje. Corresponde ao Inquice Tempo na nação Angola ou Congo. Irôko, também chamado de Tempo ou de Kitembu, é filho de Nanã e Oxalá. Irmão de Omulú, Oxumarê e Ewá. Ele rege as florestas e árvores centenárias, os ventos e o tempo. Além disso, rege também o carma e a ancestralidade.

A Origem: Um Orixá Anterior ao Próprio Tempo

Iroco é um orixá muito antigo, a primeira árvore plantada no mundo, pela qual todos os outros orixás descem à terra. Ele representa o tempo e a ancestralidade. Representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás.

No início de todos os tempos, os Orixás FunFun decidiram plantar um deles mesmo na Terra, Iroko, o Orixá da Árvore Sagrada. Sendo assim, os Orixás puderam descer com mais facilidade através da Árvore e começaram o trabalho de povoar a terra e dar toda a vida a ela.

Iroko é a essência da vida reprodutiva e do poder da terra. Alguns mitos dizem que Iroko é o cajado de Odudua, a Terra, que através dele ensina aos homens o sentido da vida.

Iroco é, portanto, anterior a todos os outros orixás no Aiyê. Ele já estava plantado quando os outros desceram. Ele é a ponte vertical entre o Orun (céu) e o Aiyê (terra), a escada pela qual o sagrado desce e se manifesta no mundo dos vivos. Sem Iroco, nenhum orixá poderia ter posto os pés na Terra.

Iroco e a Gameleira Branca: A Árvore Sagrada no Brasil

No Brasil, onde essa árvore não existe, diz-se que Iroko habita a gameleira branca, Ficus gomelleira ou Ficus doliaria (também chamada figueira-branca, guapoí, ibapoí, figueira-brava e gameleira-branca-de-purga). Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um "ojá" (laço de pano branco) ao seu redor.

É nesta árvore, a gameleira-branca, que fica acentuado o caráter reto e firme do orixá, pois suas raízes são fortes, firmes e profundas. Iroko é o protetor da natureza, dos animais e da ancestralidade; aqui no Brasil sua presença encontra-se na Gameleira Branca, como respeito e sinal de sua energia, é de costume amarrar um ojá em seu tronco.

Irokô é o Orixá da Gameleira Branca (árvore sagrada que vive mais de 200 anos e, pela nossa Religião, seu corte é proibido). Irôko, na verdade, é o orixá dos bosques nigerianos, onde lá na Nigéria é muito temido, porque como conta um itan, ninguém se atrevia a entrar num bosque sem antes reverenciá-lo. No Brasil, é nos pés da gameleira-branca que fica seu assentamento e também é ali que são oferecidas suas oferendas.

Características e Arquétipo

No Brasil, Iroco é considerado um orixá e tratado como tal, principalmente nas casas tradicionais de nação Queto. É tido como orixá raro, ou seja, possui poucos filhos. Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam diretamente na sua ação eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios.

Durante as reuniões dos Orixás, onde avaliam a humanidade e o desenvolver da Terra, Iroko está sempre presente, mas apenas observa e anota o que é concluído por eles, pois quem regerá o tempo de todos os acontecimentos será ele. Este Orixá não costuma "baixar" nas giras, mas é extremamente respeitado nos terreiros; este Orixá é quem direciona o início e o fim de todo ciclo.

Irôko tem um temperamento estável, de caráter firme e em alguns casos violento. Irôko, o Tempo, é o "orixá do grande pano branco que envolve o mundo", em alusão feita às nuvens do céu.

Ficha Ritual de Iroco

Dia da semanaTerça-feira
CoresBranco, verde, azul celeste e castanho
ElementoTerra, Ar (ventos), Floresta
DomíniosAncestralidade, Tempo, Natureza
SímbolosEscadinha, espanador de palha, árvore/tronco
MetalFerro e zinco
FiliaçãoOxalá e Nanã
Saudação"Iroko Kisselé; Eró Iroko issó, eró!"
Data10 de Agosto (ou 4 de outubro — sincretismo)
VelaBranca e Cinza

Cores e seu Simbolismo

Sua cor é o branco e ainda usa palha da costa em sua vestimenta. Outras tradições acrescentam o verde e o azul celeste, além do castanho.

O branco representa a pureza ancestral, a paz dos antepassados e o grande "alá" (pano branco) que envolve o mundo — o "orixá do grande pano branco que envolve o mundo", em alusão feita às nuvens do céu. O verde remete à copa das árvores, à vitalidade da floresta. O azul celeste simboliza o céu, o espaço infinito, o tempo que se estende sem fim. E o castanho evoca o tronco, a casca, a terra — a matéria primordial onde Iroco finca suas raízes.

Nos terreiros, o ojá branco amarrado no tronco da gameleira é a marca visual mais emblemática de Iroco.

Ferramentas e Símbolos Sagrados

Iroco difere da maioria dos orixás: seu principal símbolo não é uma ferramenta forjada, mas a própria árvore viva.

A Árvore — A Gameleira Branca

Nos terreiros, costuma-se manter uma dessas árvores como morada de Iroko, assinalada por um "ojá" (laço de pano branco) ao seu redor. A árvore é o próprio orixá. Não é uma representação ou um símbolo — é a morada viva de Iroco. Todo o ritual de Iroko é feito em seus pés, na árvore que tem o seu nome ou a Gameleira Branca.

A Escadinha

Seus símbolos incluem a escadinha e um espanador de palha. A escadinha representa a conexão vertical entre o Orun e o Aiyê — a escada pela qual os orixás desceram à terra através de Iroco.

O Espanador de Palha

É o instrumento com que Iroco varre as energias negativas, purifica o espaço sagrado e afasta os males que se acumulam com o tempo.

O Ojá Branco

O laço de tecido branco amarrado ao tronco da gameleira é o sinal visual de que ali habita Iroco. Ele demarca o sagrado e lembra a todos que aquele espaço pertence ao orixá do Tempo.

O Tronco e as Raízes

É nesta árvore, a gameleira-branca, que fica acentuado o caráter reto e firme do orixá, pois suas raízes são fortes, firmes e profundas. As raízes de Iroco representam os ancestrais — quanto mais profundas, mais sólida é a conexão com o passado. O tronco é o presente, firme e inabalável. E a copa é o futuro, aberta ao céu.

Oferendas (Adimú) de Iroco

As principais oferendas incluem:

  • Inhame cozido — alimento primordial da terra
  • Canjica branca — ligação com os Orixás Funfun
  • Pipoca doce (deburu) — flor da transformação
  • Acaçá — bolinho de milho branco enrolado em folha de bananeira
  • Feijão-fradinho — alimento de força e resistência
  • Frutas frescas — bananas, melão, frutas da estação
  • Caruru (ajabó) — preparado com quiabo
  • Milho — em diversas formas
  • Cerveja clara — sua bebida

Todo o ritual de Iroko é feito em seus pés, na árvore que tem o seu nome ou a Gameleira Branca. As oferendas são depositadas ao pé da gameleira, junto às raízes, onde o sagrado toca a terra. O tronco de Iroco costuma ser enfeitado com laços de pano colorido, tecidos de estampas vistosas e fitas. Velas brancas e cinzas. A hora propícia é o entardecer, 18 horas — o momento de transição entre o dia e a noite, refletindo a natureza temporal de Iroco.

Itans (Mitos) de Iroco

Itan 1 — A Descida dos Orixás pela Árvore Sagrada

No início de todos os tempos, os Orixás FunFun decidiram plantar um deles mesmo na Terra, Iroko, o Orixá da Árvore Sagrada. Sendo assim, os Orixás puderam descer com mais facilidade através da Árvore e começaram o trabalho de povoar a terra e dar toda a vida a ela. Diz-se em lenda que a árvore Iroko foi o meio que os orixás desceram para o Aiyê (terra), meio usado até hoje.

Este é o itan fundador: Iroco não é apenas um orixá que habita uma árvore — ele é a própria ponte cósmica entre o céu e a terra. Quando Olodumaré decidiu que os orixás deveriam descer ao Aiyê, precisava de um caminho seguro. Iroco, o mais antigo entre os orixás, ofereceu-se para ser plantado na terra, fincando raízes profundas no chão e estendendo seus galhos até o Orun. Por ele, todos os orixás desceram — Oxalá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Iemanjá, Oxum — todos pisaram primeiro nos galhos de Iroco antes de tocar o solo.

Itan 2 — As Mulheres Estéreis e o Poder de Iroco

Numa certa época, nenhuma das mulheres da aldeia engravidava. Já não havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi então que as mulheres tiveram a ideia de recorrer aos mágicos poderes de Irôco. Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar para a grande planta face a face. Suplicaram a Irôco, pediram a ele que lhes desse filhos. Ele quis logo saber o que teria em troca. As mulheres eram, em sua maioria, esposas de lavradores e prometeram a Iroko milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros.

Tempos depois a mulher percebeu que estava grávida e preparou novos laços de vistosos panos e enfeitou agradecida a planta imensa. Quando nasceu o filho tão esperado, ela foi ao babalaô e ele leu o futuro da criança: deveria ser iniciada para Iroco. Assim foi feito e Iroco teve muitos devotos. E seu tronco está sempre enfeitado e aos seus pés não lhe faltam oferendas. Todos temiam Irôco e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.

Itan 3 — Olurombi, a Mulher Transformada em Pássaro

Olurombi era estéril e fez uma promessa a Iroco: se ele lhe desse um filho, ela entregaria a criança. Iroco concedeu-lhe o pedido e ela engravidou. Porém, Olurombi contou a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o marido apegaram-se demais ao menino prometido.

Disse Iroco: "Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa." Todos os que passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome de cada oferenda feita a Iroco. Até que um dia, quando o artesão passava perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim: "Uma prometeu milho e deu o milho; Outra prometeu inhame e trouxe inhames; Uma prometeu frutas e entregou as frutas; Outra deu o cabrito e outra, o carneiro, sempre conforme a promessa que foi feita."

Tempos depois, através de novos ebós e da intercessão do babalaô, Olurombi foi perdoada e devolvida à forma de mulher. Levaram ebós de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore. Até hoje todos levam oferendas a Iroco. Porque Iroco dá o que as pessoas pedem.

Itan 4 — Iroco, Ajé e Ogboí: A Origem da Feitiçaria

Irôco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajé, a feiticeira, a outra era Ogboí, que era uma mulher normal. Irôco e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Aiê. Irôco foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajé teve só um, um passarinho.

Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajé teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Quando Ajé voltou e se deu por conta da tragédia, partiu desesperada à procura de Irôco. Irôco a recebeu em sua árvore, onde mora até hoje. E de lá, Irôco vingou Ajé, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí. Ogboí ofereceu sacrifícios para Iroco e ele poupou os demais filhos.

Itan 5 — Tempo e Zambi: A Lenda de Angola

Tempo era um homem muito agitado que fazia e resolvia muitas coisas ao mesmo tempo. Entretanto, este homem vivia reclamando e cobrando de Zambi que o dia era muito pequeno. Um dia, Zambi lhe disse: "Eu errei em sua criação, pois você é muito apressado." Ele então respondeu a Zambi: "Não tenho culpa se o dia é pequeno e as horas miúdas, não dando tempo para realizar tudo que planejo." A partir desse momento, Zambi determinou que esse homem passasse a controlar o tempo. Assim nasceu o Inquice Tempo.

Iroco e a Dimensão do Tempo

Iroko foi a primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo. Iroko é o comandante de todas as árvores.

A relação de Iroko com o tempo se dá pelo fato de que em momentos nos quais todos os Orixás se reúnem para decidir os destinos da humanidade, ele se mostra presente observando e ouvindo. Por mais que seja conhecido por não emitir a sua opinião, é de conhecimento que Iroko é responsável por tomar essas importantes decisões.

É a permanência dentro da impermanência e impermanência na permanência. O ciclo vital que não muda com o transcorrer da eternidade. A infinita e generosa oferta que a natureza nos faz, desde que saibamos reverenciá-la e louvá-la. Iroco nos ensina que o tempo é o juiz supremo. Nenhuma decisão humana escapa ao tempo. O tempo cura, o tempo cobra, o tempo transforma — e Iroco é o senhor absoluto desse processo.

Iroco na Relação com Outros Orixás

Iroco e Oxalá / Nanã (Pais): Filho de Oxalá e Nanã. Como filho de Oxalá, Iroco carrega a pureza e o branco em suas vestimentas. Como filho de Nanã, carrega a ancestralidade mais profunda.

Iroco e Obaluaê, Oxumarê e Ewá (Irmãos): Irmão de Omulú, Oxumarê e Ewá. Juntos, formam o núcleo dos orixás de origem jeje/daomeana — os mais antigos, os mais misteriosos.

Iroco e Xangô: A ligação entre Iroco e Xangô pode ser compreendida pela relação entre a árvore e o raio: quando o raio cai, é na árvore que ele se manifesta — e a árvore sagrada de Iroco é aquela que resiste ao raio sem morrer.

Iroco e Ajé (As Feiticeiras): Iroko guarda estreita ligação com as ajés, as senhoras do pássaro. As Ajés habitam a copa de Iroco, conforme o itan de Ajé e Ogboí.

Iroco e Todos os Orixás: Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás. Iroco é, de certa forma, a morada de todos os orixás — a árvore onde todos habitam, o eixo central do terreiro.

O Culto a Iroco nos Terreiros

Ao contrário da maioria dos orixás, este não costuma "baixar" nas festas de santo. É reverenciado por meio de oferendas à árvore que o representa. No Brasil, Iroko é considerado um orixá e tratado como tal, principalmente nas casas tradicionais de nação Ketu. É tido como orixá raro, ou seja, possui poucos filhos e raramente se vê Irôko manifestado.

O culto a Iroco é, acima de tudo, um culto à natureza em seu estado mais puro. Não há imagem esculpida, não há ferramentas forjadas no ferro, não há representação humana — há apenas a árvore viva, frondosa, centenária. O assentamento de Iroco é feito ao pé da gameleira, onde são depositadas as oferendas, entoadas as cantigas e realizados os rituais. É um culto de silêncio, de contemplação, de respeito profundo pelo tempo e pela vida.

Tanto no Candomblé como na Umbanda, desrespeitar o nome de Iroko é o mesmo que blasfemar e difamar toda a sua ancestralidade, o seu sangue, as suas raízes e recusar a sua proteção divina.

Cantigas (Orin) de Iroco

As cantigas de Iroco são raras e solenes, assim como o próprio orixá. São entoadas com reverência, geralmente em tom baixo e pausado, como o vento que passa pelas copas das árvores.

Cantiga 1: Eró, Eró, Iroko Issó

Eró, eró, Iroko issó, eró
Eró, eró, Iroko issó, eró
Iroko Kisselé
Iroko Kisselé ô

A saudação cantada mais conhecida, pedindo paz ("eró" significa "calma", "silêncio") na presença do orixá. "Iroko Kisselé" saúda o poder ancestral de Iroco, reconhecendo sua soberania sobre o tempo.

Cantiga 2: Iroko Ibi

Iroko Ibi, Iroko Ibi
Iroko Ibi, Ewé Iroko
Iroko Ibi, Iroko Ibi
Iroko Ibi, Ewé Iroko

Cantiga que saúda Iroco em seu nome sagrado. "Ibi" significa "terra" ou "origem", conectando Iroco às raízes profundas da terra e ao princípio de todas as coisas.

Nota: As cantigas aqui reproduzidas fazem parte da tradição oral do Candomblé Ketu. A entonação, o ritmo e o contexto ritual são fundamentais para o correto uso litúrgico. Estas letras são oferecidas para estudo e conhecimento da tradição.

Iroco e o Sincretismo

No dia 4 de outubro, comemoramos o dia do protetor dos animais São Francisco de Assis e de Irôko, o Tempo. Essas duas divindades têm estreita ligação com a natureza e com os animais, por isso são ligadas no sincretismo religioso na Umbanda e Catolicismo.

Devido à sua ligação com a natureza, tanto com a mata e principalmente com os animais, Iroko tem seu sincretismo com São Francisco de Assis, ambos são considerados os Protetores dos Animais. Há também tradições que sincretizam Iroco com São Lourenço, mártir cristão que enfrentou o fogo sem recuar.

Iroco nas Diferentes Nações

Irôko foi associado ao vodum daomeano Loko dos negros de dinastia Jeje e ainda ao inquice Tempo, dos negros bantos.

Na Nação Ketu (Iorubá): Iroco é cultuado como orixá da árvore sagrada, ligado à ancestralidade e ao tempo. Seu assentamento fica ao pé da gameleira branca. Possui poucos filhos iniciados e raramente se manifesta nas festas.

Na Nação Jeje (Fon/Daomé): É chamado de Loko (Locô). No Maitì no ex Daomé, Iroko era considerado o Guardião das grandes árvores, a morada de todos os ancestrais.

Na Nação Angola/Congo (Bantu): É chamado de Tempo ou Kitembu. Na tradição bantu, o Inquice Tempo é o senhor das mudanças climáticas, dos ventos, das estações. É o Tempo/Iroco o orixá das mudanças climáticas, as variações do tempo-clima.

Oriki (Saudação/Invocação)

A saudação mais conhecida e reverenciada:

"Iroko Issó! Eró, Iroko Kissilé!"

"Salve Iroco! Paz, Iroco, senhor que chegou!" A palavra "Eró" que acompanha sua saudação significa "calma", "silêncio", "paz" — um pedido de quietude diante da presença do mais antigo dos orixás.

"Irokó Axé!"

Iroco, que seu axé se manifeste!

Os Filhos de Iroco

Os filhos de Iroko são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes, competentes, teimosos, turrões e generosos. Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem. Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar. Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente. Um defeito grande é o fato de não conseguirem guardar segredos.

Seus filhos têm tipo vigoroso, o temperamento turbulento, a agressividade, a capacidade de liderança e o gênio imperioso e prepotente. Gostam de ensinar, de viver, de comer e de beber: o filho de Ìrokò é excelente cozinheiro, gosta de inventar receitas e de experimentá-las com os amigos. Também adora comemorar o aniversário, é ladino, sensual, adora telefonar, dançar, liderar e "não se incomoda de pagar a conta, se tiver dinheiro".

Os filhos de Iroko frequentemente exibem serenidade, paciência e uma forte conexão com a natureza. São raros e lindos os seus filhos, são altivos e de grande sabedoria, não uma sabedoria de livros ou de religião, é uma sabedoria de vida.

Iroko Issó! Eró, Iroko Kissilé!

Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados, pais, avós, bisavós, representa também o seio da natureza, a morada dos Orixás. Desrespeitar Iroko (a grande e suntuosa árvore) é o mesmo que desrespeitar a sua dinastia, os seus avós, o seu sangue.

Iroco é o orixá que não grita — sussurra. Que não corre — permanece. Que não exige adoração espetacular — aceita o laço branco amarrado em silêncio ao seu tronco. Ele é a árvore que viu o primeiro orixá pisar a terra e verá o último partir. É a raiz que sustenta a tradição, o tronco que resiste ao tempo, a copa que acolhe os mistérios.

Iroco nos ensina que a verdadeira força não está na velocidade, mas na permanência. Não está no barulho, mas no silêncio. Não está na espada, mas nas raízes. Enquanto todas as coisas do mundo nascem, crescem, morrem e desaparecem, Iroco permanece de pé — firme, calado, eterno — porque é o próprio Tempo quem decide quando tudo começa e quando tudo termina.

Iroko Issó! Eró, Iroko Kissilé!

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